Cidade antiga

Uma cidade antiga, dourada e misteriosa,
Casas empilhadas como segredos sussurrados,
Colinas que guardam histórias silenciosas,
Refletindo no rio tranquilo, sob o céu estrelado.

Luz dourada banha as ruas estreitas,
Caminhos tortuosos, memórias entrelaçadas,
Nas fachadas, janelas abertas, olhares discretos,
A cidade respira mistério, noite enluarada.

O azul se despede, cedendo ao negro profundo,
Enquanto as casas, como sonhos, se erguem,
O rio, testemunha silenciosa, murmura ao mundo,
E a cidade antiga, em segredo, seus segredos protege.

.versejandos: carícias dos ventos

.versejandos: carícias dos ventos: um toque de brisa uma pétala de flor um sorriso doce um olhar sincero. são carícias de vento é a beleza da simplicidade é a graça do mundo é...

espectro de desprezo

 


desprezo

teia tecida

olhar frio

alma partida.

objeto 

dor sentida.


palavras cruéis

veneno

máscara oculta

veneno.

coração vazio

pleno.


silêncio

adeus não dito

humilhação em grito.

ela, esquecida

mito.


_pedroperes

teia de significados

 


Poesia, um retrato:

pinceladas no ar,

alma desvelada.


notado nas sombras,

âmago escondido,

verdades fluindo.


caleidoscópio interno,

palavras transcendentais,

mistério capturado.


_pedroperes

Para Ti (Mia Couto)

 

Foi para ti

que desfolhei a chuva

para ti soltei o perfume da terra

toquei no nada

e para ti foi tudo


Para ti criei todas as palavras

e todas me faltaram

no minuto em que falhei

o sabor do sempre


Para ti dei voz

às minhas mãos

abri os gomos do tempo

assaltei o mundo

e pensei que tudo estava em nós

nesse doce engano

de tudo sermos donos

sem nada termos,

simplesmente porque era noite

e não dormíamos.

eu descia em teu peito

para me procurar

e antes que a escuridão

nos cingisse a cintura

ficávamos nos olhos,

vivendo de um só olhar

amando de uma só vida.


Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"

http://pt.wikipedia.org/wiki/Mia_Couto