num beijo sorverei tua dor
de vontade pura soprá-la-ei
em mornos pingos de flor
tua alma afagarei
E se não for poesia
E se não for poeta
Que sou
Quem sou
Pedro não
Certamente
Num dado momento, sem aviso, me vejo fechando as portadas, as persianas, as janelas e por fim correndo os cortinados, ficando fechado em mim, suspenso num torpor, no silencio da escuridão, lutando com a dor que me visita sem convite.
É então que tudo falha e, de braços caídos, me abandono...
na beira do precipício
espero cobardemente
que uma leve brisa
por fim me liberte
Não sei por quanto tempo, mas por certo, tempo sempre demais, mas me fazendo de valente,
de respiração rasa
seguro-me
esperando o sol raiar
Então, de novo sem aviso, já perdida a última réstia de esperança, um raiozinho de sol, não sabendo bem como, penetra naquela fortaleza.
A pouco e pouco, vou correndo os cortinados, abrindo de par em par as janelas, sorvendo o ar fresco e doce da madrugada que força a entrada.
Por fim, timidamente, as persianas sobem, deixando de novo a vida me resgatar.
ai Chuva,
vieste, enfim.
ao beijares meu corpo
marcado da vida,
tocado com o fim
todo eu sou cheiro,
Teu.
a esperança
a promessa
e a bondade
essas são desejo,
Teu.
hoje ao aproximar a concha do ouvido
engano-me em teu murmuro me chamando
na ânsia que as águas se misturem
e na alma esse sentido de pertença
a algo que por ser vasto me conforta
no frio fundo e escuro do teu ventre
esconde-me até que a vontade me pertença
ou até que a vida de novo me queira