Desesperança

 

A vida me parece tão vazia,

E a esperança já se foi,

Não vejo sentido nem alegria,

Tudo parece tão triste e só.


Os dias passam sem sentido,

E a cada hora que se vai,

Sinto o meu coração ferido,

Pela tristeza que não sai.


Os sonhos que um dia eu tive,

Foram todos desfeitos pelo tempo,

E agora só me resta o nada,

E o vazio que não tem fim.


Nunca mais verei a luz do sol,

Nem sentirei o vento no rosto,

Pois estou preso neste luto,

Sem nenhuma esperança de um recomeço.


Sinto-me perdido no caminho,

Sem saber para onde ir,

E a desesperança que me assola,

Só me faz querer desistir.


Mas ainda assim eu resisto,

Pois a vida, mesmo sem sentido,

É o único bem que possuo,

E a única chance de ser feliz.


Eu quero ainda acreditar,

Eu preciso ainda acreditar,

Pois se o caminho não for assim,

Só resta parar por fim.


Perdão, Vida

 

Perdão, vida querida,

Por não sorrir como antes,

Por não apreciar a beleza

Que me rodeia constantemente.


Perdão, vida generosa,

Por vezes me deixar levar

Pela tristeza que me consome,

E me faz esquecer de tudo o mais.


Perdão, vida preciosa,

Por não aproveitar cada instante,

Por deixar passar as oportunidades

Que me ofereces a cada momento.


Peço-te, vida amada,

Que me dês forças para seguir em frente,

Que me ajudes a superar a dor,

E a encontrar de novo a felicidade.


Perdão, vida que tanto amo,

Por não cuidar de ti como mereces.


O tempo passou, a vida mudou


Olho para o lado e vejo você,

Sorrindo ao lado de outra pessoa.

Sei que é feliz e isso me alegra,

Mas não posso negar que às vezes dói.


Você merece todo esse amor,

Essa felicidade que transborda.

Mas confesso que sinto inveja,

De não ter mais a sua mão na minha.


Não há mágoa em meu coração,

Apenas um pouco de saudade.

Eu te deixei ir para ser feliz,

E agora vejo que fez a escolha certa.


Que essa felicidade dure para sempre,

E que vocês sejam sempre assim, tão lindos.

E que eu possa encontrar alguém assim também,

Para ser feliz ao lado e transbordar de amor.


Gonçalo Salgueiro - Grito (Amália Rodrigues)



Silêncio!
Do silêncio faço um grito
O corpo todo me dói
Deixai-me chorar um pouco.

De sombra a sombra
Há um Céu...tão recolhido...
De sombra a sombra
Já lhe perdi o sentido.

Ao céu!
Aqui me falta a luz
Aqui me falta uma estrela
Chora-se mais
Quando se vive atrás dela.

E eu,
A quem o céu esqueceu
Sou a que o mundo perdeu
Só choro agora
Que quem morre já não chora.

Solidão!
Que nem mesmo essa é inteira...
Há sempre uma companheira
Uma profunda amargura.

Ai, solidão
Quem fora escorpião
Ai! solidão
E se mordera a cabeça!

Adeus
Já fui para além da vida
Do que já fui tenho sede
Sou sombra triste
Encostada a uma parede.

Adeus,
Vida que tanto duras
Vem morte que tanto tardas
Ai, como dói
A solidão quase loucura.


Letra: Amália Rodrigues
Música Carlos Gonçalves