António Feio, até sempre e obrigado
Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!
É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!
E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!
(Florbela Espanca)
ausência
às vezes, por estes dias,
assombra-me um travo amargo de ausência
mas logo te sinto dentro de mim
meu peito desanuvia
e a luz retorna assim
assombra-me um travo amargo de ausência
mas logo te sinto dentro de mim
meu peito desanuvia
e a luz retorna assim
Rotina!
toda a senoite
seduzidos pelo maravilhoso que nos espera
toda a noite
embalados nos gemidos encantados do nosso gozo
toda a entrenoite
envoltos na bruma doce e quente do nosso amor
Azul e Verde
"o azul soberano
o verde encorpado"
vai com o vento
faz-te brisa
e me acaricia
a alma carente
faz o azul
beijar o verde
sob o sol poente
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