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A Montra de Vidro

a montra de vidro
onde eu sou
Dura ela é


obriga-me a ficar de pé
de tão estreita
vem-me apertando o peito
sem poder mais gritar até


pesa-me o corpo
onde estão os pés
que não os sinto mais
e estas mãos sangrando
de tanto querer quebrar
esta prisão que se fez


já meus olhos esvaziei
e meus tímpanos rebentei
até minha língua comi
e a vida lá fora na mesma senti


não quero mais
não posso mais
e não entendo mais


que me pedes Tu?
porque Demoras?
entrega-me o silêncio
da terra fria
e o negrume vazio
do teu abraço


este que carrego nas minhas mãos
é meu cansado e dorido coração
que fora de mim resiste pulsando
e Tu agora não podes mais recusar!