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Singelo Clamor

só tu sabes dor como és solidão
mácula de alma
nem quando gritas se ouve teu coração
no ferro negro em pele brasa

vida ausente --
Quem és?
passado que se deseja esquecer
do que apenas foste
e o futuro que não sentes
não queres voltar a ser
-- sem presente

quando o sono se faz breve conforto
e o acordar o esgar do horror
de todos os males que são meus
na plenitude de todo o fervor
anseio que sejam nunca teus

NESTE ÚLTIMO DIA DE ABRIL... POEMA...

A minha vida é o mar o Abril a rua
O meu interior é uma atenção voltada para fora
O meu viver escuta
A frase que de coisa em coisa silabada
Grava no espaço e no tempo a sua escrita

Não trago Deus em mim mas no mundo o procuro
Sabendo que o real o mostrará

Não tenho explicações
Olho e confronto
E por método é nu meu pensamento

A terra o sol o vento o mar
São a minha biografia e são meu rosto

Por isso não me peçam cartão de identidade
Pois nenhum outro senão o mundo tenho
Não me peçam opiniões nem entrevistas
Não me perguntem datas nem moradas
De tudo quanto vejo me acrescento

E a hora da minha morte aflora lentamente
Cada dia preparada

(Sophia de Mello Breyner Andresen in Poema)