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Inhotim

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logo que cheguei
neste paraíso do Brumadinho
te vislumbrei
envolta em bruma
raiada pelo sol que desponta
em contraluz


tua pele sedosamente
perfumada
de essências de mata atlântica
vestida de frescura contagiante


nossas bocas geminadas
os corpos num abraço mordido
respirando essas pazes cantadas
ao som vivo das folhas
lá em cima dançando


com as mãos fazendo amor
desenhamos sonho
na bruma transpirada pairam
ondas gaivotas e horizontes
pintamos nossas fragilidades
voz da força do nosso amor
revisitada a cada beijo


ser alado
de intensas plumas coloridas
pousando em nosso peito
sacia nossa sede
de sabores doces de primavera
mel escorrido de seu bico
alimenta nossa vitalidade


e em cada gota
arco-íris escorrendo
em nossos corpos estafados
arfantes
transpirando a beleza
que nos consola
completa


Inhotim
bruma que me retorna a ti
não é sonho... é Graça
é um sempre querer
em cada estação
te reamar no voltar

A Montra de Vidro

a montra de vidro
onde eu sou
Dura ela é


obriga-me a ficar de pé
de tão estreita
vem-me apertando o peito
sem poder mais gritar até


pesa-me o corpo
onde estão os pés
que não os sinto mais
e estas mãos sangrando
de tanto querer quebrar
esta prisão que se fez


já meus olhos esvaziei
e meus tímpanos rebentei
até minha língua comi
e a vida lá fora na mesma senti


não quero mais
não posso mais
e não entendo mais


que me pedes Tu?
porque Demoras?
entrega-me o silêncio
da terra fria
e o negrume vazio
do teu abraço


este que carrego nas minhas mãos
é meu cansado e dorido coração
que fora de mim resiste pulsando
e Tu agora não podes mais recusar!

Onde moram os anjos

ai como é bom ser amado
e amar assim tão levemente
este doce sentir da felicidade
que nos envolve e nos leva para lá
onde moram os anjos
e o brilho suave dos sonhos
abrem portas e janelas
e a noite se entrega ao dia
num abraço apaixonado
num abraço eterno de intimidade

Dor

me sinto feio
quando olho no espelho
não do rosto que está
mas da tristeza que alcança
o desespero trespassa
e a alma se amordaça
e a vida suspensa
por trás do vidro, chora
enquanto a Senhora
ronda sussurrando
com oferendas de eterna calma
eu sem eira nem beira
fecho os olhos apertando a Vida
olvidando o murmuro que paira

quero tanto hoje

quero tanto hoje
segurar tuas mãos e olhar no profundo do olhar
abraçar e sentir o coração pulsar
beijar e beber teu doce beijar
sussurrar desejos calados em teu ouvido
encher as mãos com teus cabelos de índia
te olhar nua desnudo em teu corpo
acariciar os seios que me suplicam pela boca
a mão em teu ventre tacteando os anseios de paixão
as pernas me serpenteando num aperto crescente
meu ser se derretendo se embelezando se preparando
tu na tua louca ansiedade me puxando para o teu sonho
juntos explodindo num arco-íris gemido
num turbilhão de gozo perfumado
fundimos o céu e a terra num instante imenso
estendidos um no outro amamos a madrugada
rindo baixinho saboreamos o momento só nosso
-- amanhã voltaremos ao amor louco e doce