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Singelo Clamor

só tu sabes dor como és solidão
mácula de alma
nem quando gritas se ouve teu coração
no ferro negro em pele brasa

vida ausente --
Quem és?
passado que se deseja esquecer
do que apenas foste
e o futuro que não sentes
não queres voltar a ser
-- sem presente

quando o sono se faz breve conforto
e o acordar o esgar do horror
de todos os males que são meus
na plenitude de todo o fervor
anseio que sejam nunca teus

NESTE ÚLTIMO DIA DE ABRIL... POEMA...

A minha vida é o mar o Abril a rua
O meu interior é uma atenção voltada para fora
O meu viver escuta
A frase que de coisa em coisa silabada
Grava no espaço e no tempo a sua escrita

Não trago Deus em mim mas no mundo o procuro
Sabendo que o real o mostrará

Não tenho explicações
Olho e confronto
E por método é nu meu pensamento

A terra o sol o vento o mar
São a minha biografia e são meu rosto

Por isso não me peçam cartão de identidade
Pois nenhum outro senão o mundo tenho
Não me peçam opiniões nem entrevistas
Não me perguntem datas nem moradas
De tudo quanto vejo me acrescento

E a hora da minha morte aflora lentamente
Cada dia preparada

(Sophia de Mello Breyner Andresen in Poema)

Poesia é

Poesia é o corpo que é alma
Poesia é o eu profundo que grita
Poesia é o sonho que lampeja
Poesia é a emoção que fala
Poesia é o latejar de vida
Poesia é o fim da morte

Sono Bom

lânguido na beira-praia
acariciado pelas ondas
embalado pelo mar
velado pelas sereias
adormeço na maresia

Afago

num beijo sorverei tua dor
de vontade pura soprá-la-ei
em mornos pingos de flor
tua alma afagarei

Dúvida

E se não for poesia
E se não for poeta
Que sou
Quem sou
Pedro não
Certamente

A vida me resgata

Num dado momento, sem aviso, me vejo fechando as portadas, as persianas, as janelas e por fim correndo os cortinados, ficando fechado em mim, suspenso num torpor, no silencio da escuridão, lutando com a dor que me visita sem convite.


É então que tudo falha e, de braços caídos, me abandono...
  
    na beira do precipício
    espero cobardemente
    que uma leve brisa
    por fim me liberte


Não sei por quanto tempo, mas por certo, tempo sempre demais, mas me fazendo de valente,
  
    de respiração rasa
    seguro-me
    esperando o sol raiar


Então, de novo sem aviso, já perdida a última réstia de esperança, um raiozinho de sol, não sabendo bem como, penetra naquela fortaleza.


A pouco e pouco, vou correndo os cortinados, abrindo de par em par as janelas, sorvendo o ar fresco e doce da madrugada que força a entrada.


Por fim, timidamente, as persianas sobem, deixando de novo a vida me resgatar.

Teu

ai Chuva,
vieste, enfim.
ao beijares meu corpo
marcado da vida,
tocado com o fim
todo eu sou cheiro,
Teu.


a esperança
a promessa
e a bondade
essas são desejo,
Teu.

Esconde-me

hoje ao aproximar a concha do ouvido
engano-me em teu murmuro me chamando
na ânsia que as águas se misturem
e na alma esse sentido de pertença
a algo que por ser vasto me conforta
no frio fundo e escuro do teu ventre
esconde-me até que a vontade me pertença
ou até que a vida de novo me queira

Inhotim

clicar na foto ou em Inhotim


logo que cheguei
neste paraíso do Brumadinho
te vislumbrei
envolta em bruma
raiada pelo sol que desponta
em contraluz


tua pele sedosamente
perfumada
de essências de mata atlântica
vestida de frescura contagiante


nossas bocas geminadas
os corpos num abraço mordido
respirando essas pazes cantadas
ao som vivo das folhas
lá em cima dançando


com as mãos fazendo amor
desenhamos sonho
na bruma transpirada pairam
ondas gaivotas e horizontes
pintamos nossas fragilidades
voz da força do nosso amor
revisitada a cada beijo


ser alado
de intensas plumas coloridas
pousando em nosso peito
sacia nossa sede
de sabores doces de primavera
mel escorrido de seu bico
alimenta nossa vitalidade


e em cada gota
arco-íris escorrendo
em nossos corpos estafados
arfantes
transpirando a beleza
que nos consola
completa


Inhotim
bruma que me retorna a ti
não é sonho... é Graça
é um sempre querer
em cada estação
te reamar no voltar

A Montra de Vidro

a montra de vidro
onde eu sou
Dura ela é


obriga-me a ficar de pé
de tão estreita
vem-me apertando o peito
sem poder mais gritar até


pesa-me o corpo
onde estão os pés
que não os sinto mais
e estas mãos sangrando
de tanto querer quebrar
esta prisão que se fez


já meus olhos esvaziei
e meus tímpanos rebentei
até minha língua comi
e a vida lá fora na mesma senti


não quero mais
não posso mais
e não entendo mais


que me pedes Tu?
porque Demoras?
entrega-me o silêncio
da terra fria
e o negrume vazio
do teu abraço


este que carrego nas minhas mãos
é meu cansado e dorido coração
que fora de mim resiste pulsando
e Tu agora não podes mais recusar!

Onde moram os anjos

ai como é bom ser amado
e amar assim tão levemente
este doce sentir da felicidade
que nos envolve e nos leva para lá
onde moram os anjos
e o brilho suave dos sonhos
abrem portas e janelas
e a noite se entrega ao dia
num abraço apaixonado
num abraço eterno de intimidade

Dor

me sinto feio
quando olho no espelho
não do rosto que está
mas da tristeza que alcança
o desespero trespassa
e a alma se amordaça
e a vida suspensa
por trás do vidro, chora
enquanto a Senhora
ronda sussurrando
com oferendas de eterna calma
eu sem eira nem beira
fecho os olhos apertando a Vida
olvidando o murmuro que paira

quero tanto hoje

quero tanto hoje
segurar tuas mãos e olhar no profundo do olhar
abraçar e sentir o coração pulsar
beijar e beber teu doce beijar
sussurrar desejos calados em teu ouvido
encher as mãos com teus cabelos de índia
te olhar nua desnudo em teu corpo
acariciar os seios que me suplicam pela boca
a mão em teu ventre tacteando os anseios de paixão
as pernas me serpenteando num aperto crescente
meu ser se derretendo se embelezando se preparando
tu na tua louca ansiedade me puxando para o teu sonho
juntos explodindo num arco-íris gemido
num turbilhão de gozo perfumado
fundimos o céu e a terra num instante imenso
estendidos um no outro amamos a madrugada
rindo baixinho saboreamos o momento só nosso
-- amanhã voltaremos ao amor louco e doce

Na Volta

foto:José Marafona. www.josemarafona.com

Vou e na volta
volto de novo
ao sem volta
de mim
preciso de amputar
de mim
meu corpo a metade
de mim
que maltrata a alma
a prisioneira metade
de mim
como fazer as metades
de mim
viver juntas
na volta
para mim

Luar Teu

Lua Cheia @Maria Rego


E à noitinha, é a lua que te traz, suavemente, para lado meu.
Eu sorrio e lhe mando um beijo pela prenda que me deu

Pedido

Sinto-te tão sozinha
Quero galgar o oceano
Para teus olhos inundar
Com um amor de criança

Intimo Desejo

que meu corpo tombe
na terra ressequida
e as hienas rindo
me encontrem
rasguem a carne
se deliciem com as vísceras
quebrem todos os ossos
e que nada mas nada reste...


talvez então sim
no exacto lugar
onde o sangue se verteu
possa quem sabe brotar
uma pequena e delicada flor
eu sou a personificação da fealdade
e só não sou o horror porque te amo

Ser Poeta

António Feio, até sempre e obrigado


Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Aquém e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!

(Florbela Espanca)

ausência

às vezes, por estes dias,
assombra-me um travo amargo de ausência
mas logo te sinto dentro de mim
meu peito desanuvia
e a luz retorna assim

Rotina!



toda a senoite
seduzidos pelo maravilhoso que nos espera
toda a noite
embalados nos gemidos encantados do nosso gozo
toda a entrenoite
envoltos na bruma doce e quente do nosso amor

Azul e Verde

"o azul soberano
o verde encorpado"




vai com o vento
faz-te brisa
e me acaricia
a alma carente
faz o azul
beijar o verde
sob o sol poente

Entendimento

no fio da navalha
entre sombra e luz
alegria tristeza
vida morte
acção contemplação
visão bipolar
desejo unipolar
entendimento claridade
de horas perdidas
fio que golpeia
alma que chora
querendo a luz
temendo a escuridão
em equilíbrio perene.

com seus pés em sangue
luta por saltar
em seus prados verdejantes
ondulando ao vento morno
acorda do sonho antigo
desenho Regina Mello


corporegina
no esplendor
mergulho esse mar
rendido me afogas

Caldo


caldo aqueces
sou caldo tu és malga
caldo despertas
és caldo eu sou malga
caldo abraças
sou colher tu és boca
caldo confortas
és colher eu sou boca
caldo preenches
sou caldo tu és mão
caldo envolves
és caldo eu sou mão
caldo caldo caldo
caldo sou caldo és

Por te amar






Por te amar com a força da luz do sol
Eu prometo-te amor eterno
Por te amar com todo o amor do mundo
Prometo verter em ti todo o meu ser
Por te amar com o amor dos santos
Prometo-te todo o meu viver

Se te amasse com a força da luz do sol
Eu prometia-te amor eterno
Se te amasse com todo o amor do mundo
Prometia verter em ti todo o meu ser
Se te amasse com o amor dos santos
Prometia-te todo o meu viver

Por não te amar com a força da luz do sol
Eu prometo-te amor eterno
Por não te amar com todo o amor do mundo
Prometo verter em ti todo o meu ser
Por não te amar com o amor dos santos
Prometo-te todo o meu viver

Com a força da luz do sol
Eu prometo-te amor eterno
Com todo o amor do mundo
Prometo verter em ti todo o meu ser
Com o amor dos santos
Prometo-te todo o meu viver

Se não te amasse
Te amaria mesmo assim
Imagina meu amor como pode ser
Por te amar assim

Amanhecer...

Amanhecer...

Hoje acordei sentindo você na minha vida!
Hoje desejei sua vontade dentro do meu ser!
Hoje acredito mais ainda no seu gozo quente!
Hoje procurei você aqui no mesmo lugar!
Hoje olhei nosso universo e você estava lá!
Ah amor da minha vida, vem me amar...
Venha socorrer este corpo ardente...
Venha para meus braços me fazer ninar!
Quero sentir meus seios junto a ti...
Quero seus olhos nos meus a desejar-me!
Quero me envolver nessa loucura de prazer!
Quero teu umbigo para eu lamber...
Quero beijar tuas pernas até seus joelhos...
Quero ver e sentir você gritar...
Dizendo bem alto, - Quero você aqui!
Olhe para mim, venha me amar...
Não sou Eva, nem você é Adão!
Por isso meu bem volta logo, me tira dessa solidão...
Não consigo mais viver sem ter você!
Meu corpo necessita dessa luz...
Sem ela não posso resistir...
Meu corpo pede teu abrigo...
Meu horizonte é você!
Minha alma depende de você!
Necessito desse corpo suado ao meu se juntando...
Aqui nesta cama onde há chamas...
Sinto agora tua presença querendo ficar.
Agora já não resisto, tenho que te encontrar...

Jorge de Sena



Oh meu amor, de ti, por ti, e para ti,
recebo gratamente como se recebe
não a morte ou a vida, mas a descoberta
de nada haver onde um de nós não esteja.

Jorge de Sena in Sinais de Fogo

Ler pode ser perigoso!

Ler pode ser perigoso!: "
Bela ironia, Meninos e Meninas. Gostei muito!



Campanha de incentivo à leitura idealizada e produzida por: Deborah Toniolo, Marina Xavier, Julia Brasileiro, Igor Melo, Jader Félix, João Paulo Moura, Luciano Midlej, Marcos Diniz, Paulo Diniz, Filipe Bezerra. (Alunos do 2ºano - turma pp02/2003 - do curso de Publicidade e Propaganda da UNIFACS - Universidade Salvador).



Adaptação do texto de Guiomar de Grammont.

"

Doce Suspirar


banho em doces lágrimas
teu corpo mil vezes sonhado
recolho o sal que é vida
do eu que suspira pelo teu.

Poema de Mário de Sá-Carneiro

      
    Serradura


A minha vida sentou-se
E não há quem a levante,
Que desde o Poente ao Levante
A minha vida fartou-se.


E ei-la, a mona, lá está,
Estendida, a perna traçada,
No infindável sofá
Da minha Alma estofada.


Pois é assim: a minha Alma
Outrora a sonhar de Rússias,
Espapaçou-se de calma,
E hoje sonha só pelúcias.


Vai aos Cafés, pede um bock,
Lê o "Matin" de castigo,
E não há nenhum remoque
Que a regresse ao Oiro antigo:


Dentro de mim é um fardo
Que não pesa, mas que maça:
O zumbido dum moscardo,
Ou comichão que não passa.


Folhetim da "Capital"
Pelo nosso Júlio Dantas ---
Ou qualquer coisa entre tantas
Duma antipatia igual...


O raio já bebe vinho,
Coisa que nunca fazia,
E fuma o seu cigarrinho
Em plena burocracia!...


Qualquer dia, pela certa,
Quando eu mal me precate,
É capaz dum disparate,
Se encontra a porta aberta...


Isto assim não pode ser...
Mas como achar um remédio?
--- Pra acabar este intermédio
Lembrei-me de endoidecer:


O que era fácil --- partindo
Os móveis do meu hotel,
Ou para a rua saindo
De barrete de papel


A gritar "Viva a Alemanha" ...
Mas a minha Alma, em verdade,
Não merece tal façanha,
Tal prova de lealdade...


Vou deixá-la --- decidido ---
No lavabo dum Café,
Como um anel esquecido.
É um fim mais raffiné.


Mário de Sá-Carneiro (1890-1916)

Sombra
















cala este silêncio que rebenta a alma
tapa esta noite que queima o corpo
alumia a sombra viva que resta

Lhasa de Sela - Con Toda Palabra




Con toda palabra
Con toda sonrisa
Con toda mirada
Con toda caricia
Me acerco al agua
Bebiendo tu beso
La luz de tu cara
La luz de tu cuerpo
Es ruego el quererte
Es canto de mudo
Mirada de ciego
Secreto desnudo
Me entrego a tus brazos
Con miedo y con calma
Y un ruego en la boca
Y un ruego en el alma
Con toda palabra
Con toda sonrisa
Con toda mirada
Con toda caricia
Me acerco al fuego
Que todo lo quema
La luz de tu cara
La luz de tu cuerpo
Es ruego el quererte
Es canto de mudo
Mirada de ciego
Secreto desnudo
Me entrego a tus brazos
Con miedo y con calma
Y un ruego en la boca
Y un ruego en el alma


Página Oficial: http://lhasadesela.com


Jorge Palma - O Meu Amor Existe


O meu amor tem lábios de silêncio
E mãos de bailarina
E voa como o vento
E abraça-me onde a solidão termina

O meu amor tem trinta mil cavalos
A galopar no peito
E um sorriso só dela
Que nasce quando a seu lado eu me deito

O meu amor ensinou-me a chegar
Sedento de ternura
Sarou as minhas feridas
E pôs-me a salvo para além da loucura.

O meu amor ensinou-me a partir
Nalguma noite triste
Mas antes, ensinou-me
A não esquecer que o meu amor existe.



Poeira




Por aqui o chão está seco,
Feito de memórias da vida,
Levadas pelo vento que sopra...
Indiferente!